A notícia publicada pelo 24Horas, a 7 de agosto, sobre o afastamento da NTGroup do negócio das três fragatas FREMM EVO foi confirmada esta terça-feira no Parlamento pelo próprio diretor-geral da empresa portuguesa, Alexandre Costa, perante os deputados da Comissão de Defesa Nacional, que declarou, de forma inequívoca, que a NTGroup foi retirada do processo pela construtora italiana: “A NTG não foi afastada pelo Governo, a NTG foi afastada pela Fincantieri”, afirmou.
O responsável confirmou igualmente outro elemento central avançado pelo 24 Horas: a exclusão ocorreu na fase final das negociações, depois de a NTGroup ter trabalhado durante vários anos na promoção da solução italiana e na aproximação da Fincantieri às autoridades portuguesas, sendo que a relação comercial entre as duas empresas começou no final de 2020 e era renovada anualmente.
Segundo Alexandre Costa, ainda em junho do ano passado, a Fincantieri pediu à NTGroup que organizasse uma reunião com o chefe do Estado-Maior da Armada. Mais tarde, já na fase decisiva do processo, a empresa portuguesa foi informada de que deixaria de participar nos encontros, sem que lhe tivesse sido apresentada qualquer explicação.
A quem é que a NTG pagou a comissão?
O depoimento parlamentar demonstra, assim, que a notícia do 24Horas não era uma invenção, um rumor ou uma tentativa de atingir o Governo, como algumas reações políticas, nomeadamente a do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, procuraram fazer crer. Sejamos claros: a NTGroup existiu no processo, trabalhou para a Fincantieri e foi afastada quando o negócio das fragatas se aproximava da conclusão.
A empresa considera agora ter direito a ser remunerada pelo trabalho realizado e admite recorrer aos tribunais contra a Fincantieri se não for alcançado um acordo. Alexandre Costa esclareceu, contudo, que não existe qualquer contrato com o Estado português nem será exigido ao Governo o pagamento de uma comissão.

Fica por confirmar o valor da compensação. O responsável invocou uma cláusula de confidencialidade e não revelou se estavam efetivamente em causa os cerca de 90 milhões de euros noticiados pelo 24Horas, embora o nosso jornal esteja em condições de o afirmar
Mas o facto essencial ficou confirmado perante o Parlamento: a NTGroup foi afastada pela Fincantieri na fase final do negócio. Depois das ameaças de processos judiciais e das acusações dirigidas ao jornal, a audição confirmou a consistência da investigação do 24Horas. Falta agora explicar por que razão ocorreu o afastamento, quanto dinheiro estava em causa e se esse montante foi, ou não, retirado do preço final de 3,9 mil milhões de euros pagos por Portugal.
E também a quem a Fincantieri pagou a comissão pela venda das fragatas FREMM EVO, um negócio que rondou cerca de 4 mil milhões de euros...

















