A França de Emanuel Macron enfrenta uma das maiores revoltas estudantis dos últimos anos. O movimento iniciado nos liceus alastrou às universidades e ganhou dimensão nacional, com bloqueios, incêndios e violentos confrontos com as forças de segurança. Esta sexta-feira, dia 2, mais de 400 estabelecimentos permanecem encerrados, embora o Ministério da Educação indique que 564 escolas foram afetadas por ações ou perturbações ao longo do dia.

A contestação começou a 21 de setembro e tem como principais reivindicações a falta de professores e funcionários, horários considerados excessivos, turmas sobrelotadas e más condições nos edifícios escolares. Na quinta-feira, dia 1, mais de mil estabelecimentos foram atingidos pela mobilização e 222 chegaram a ser bloqueados.

Mas os protestos escalaram rapidamente. Barricadas e veículos foram incendiados e vários liceus sofreram danos. Só na quinta-feira, as autoridades efetuaram 1949 detenções. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou esta sexta-feira que já houve cerca de dois mil casos de detenção com custódia policial desde o início do movimento, 90% envolvendo menores.

A violência atingiu também a comunidade escolar. O ministro da Educação, Édouard Geffray, revelou que 65 profissionais, incluindo 40 diretores, e cerca de 170 alunos ficaram feridos. Mais de uma centena de escolas sofreram danos graves.

O Governo reconhece a legitimidade das preocupações dos estudantes, mas acusa grupos ultraviolentos de se apropriarem dos protestos e responsabiliza politicamente a França Insubmissa por alimentar a contestação, acusação rejeitada pelo partido. Geffray reúne-se esta sexta-feira com representantes dos estudantes e dos pais numa tentativa de travar uma crise que, a poucos meses das presidenciais, já ultrapassou os muros das escolas.