O governo francês afastou vários membros das suas equipas depois de terem acusado positivo em testes antidrogas realizados sem aviso prévio. A confirmação foi feita pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, de 40 anos, que garantiu que este tipo de fiscalização continuará a ser aplicado nos serviços do Estado.

A iniciativa, lançada em junho, prevê a realização de testes de saliva a ministros e funcionários públicos que ocupem cargos considerados particularmente sensíveis, devido ao acesso a informação confidencial.

Em entrevista à revista Paris Match, Lecornu explicou que a medida pretende reduzir riscos para a segurança do Estado e impedir que eventuais fragilidades pessoais possam ser exploradas.

"Os testes são aleatórios. Vão continuar. E não tenho dúvidas de que os meus sucessores podem ir ainda mais longe", afirmou.

O governante explicou ainda que o objetivo não passa apenas por transmitir uma mensagem de rigor.

"Muitos dizem que o fiz para dar o exemplo. É verdade. Mas fi-lo sobretudo por causa da vulnerabilidade", referiu, lembrando que muitos dos funcionários abrangidos trabalham diariamente com informação "extremamente sensível".

Quando anunciou a medida, Lecornu justificou que o consumo de droga pode representar uma ameaça à segurança nacional, uma vez que torna os titulares destes cargos mais suscetíveis a pressões externas, redes criminosas ou tentativas de ingerência.

As regras estabelecidas pelo Executivo francês preveem consequências para quem obtenha um resultado positivo ou se recuse a realizar o teste, incluindo a possibilidade de aplicação de sanções disciplinares.

O primeiro-ministro aproveitou ainda para defender que o problema do consumo de estupefacientes não distingue classes sociais.

"Todas as classes sociais são afetadas", afirmou, acrescentando que "não se pode condenar a morte de jovens de 16 anos nos bairros pobres e, ao mesmo tempo, tolerar o consumo nos bairros ricos".

Segundo o Le Figaro, Lecornu assegurou, no entanto, que os nomes das pessoas abrangidas por estes testes não serão divulgados publicamente.

"Não somos um tribunal. Lançamos esta campanha de testes de drogas com o objetivo de dar o exemplo e garantir a segurança nacional. Esses cargos são inerentemente de alto risco e tornam as pessoas vulneráveis. No entanto, não pretendemos divulgar os seus nomes", concluiu.