A tecnológica portuguesa Critical Software, sediada em Coimbra, está a mudar o seu modelo de negócio devido ao avanço da Inteligência Artificial (IA). A empresa pretende deixar de se concentrar no desenvolvimento de software para apostar na tecnologia e engenharia de sistemas críticos.

"Nós estamos a refundar a empresa. Há um antes e depois da inteligência artificial", afirmou Gonçalo Quadros, cofundador e presidente do conselho de administração, em declarações à agência Lusa. Segundo o responsável, a evolução da IA tem sido exponencial, com avanços significativos em poucos meses. A tecnologia já assumiu tarefas como testar sistemas e produzir código, com níveis de eficácia que considera muito elevados.

A mudança também teve consequências no número de trabalhadores. Gonçalo Quadros confirmou que foram despedidas "algumas pessoas", no âmbito dos ajustes à organização, mas não revelou quantas. Garantiu, contudo, que a empresa já não está a reduzir postos de trabalho.

Apesar da mudança de estratégia, a Critical Software continuará a desenvolver soluções para setores como a aviação, o espaço e a indústria automóvel. O objetivo passa por concentrar os recursos humanos no desenho, verificação e validação de sistemas críticos, tarefas em que a supervisão humana continua a ser essencial.

O cofundador acredita que a inteligência artificial poderá multiplicar por dez a capacidade produtiva da empresa, permitindo desenvolver tecnologia que anteriormente seria demasiado dispendiosa. Ainda assim, deixou um alerta sobre os riscos da evolução tecnológica. Gonçalo Quadros admitiu preocupação com a possibilidade de as máquinas alcançarem a capacidade de se aperfeiçoarem autonomamente, reconhecendo que o risco de um cenário distópico é hoje superior ao do passado.