O homem, de 70 anos, apanhado a filmar menores num centro comercial algarvio, terá um passado marcado por agressões e crimes sexuais contra a própria família. Após a recente denúncia pública, o telemóvel do idoso foi confiscado pelas autoridades, que procederam à sua identificação, enquanto novos relatos de assédio e crimes antigos continuam a chegar.

A gravidade do perfil do suspeito foi exposta na SIC, no programa 'Casa Aberta', através do testemunho de uma das filhas, que revelou ter sido abusada sistematicamente durante a infância e adolescência. O crime, contudo, já prescreveu legalmente, impedindo a abertura de um novo processo autónomo por esses atos passados. O relato da filha detalha o calvário que viveu: "Sou filha dele e vítima dele. Não sou a única mas hoje falo de mim e falo por todas."

A testemunha explicou que as agressões sexuais começaram na infância e prolongaram-se até atingir a maioridade: "Desde pequenina", desde que se lembra, até aos 18 anos, até conseguir fugir de casa.

Segundo o seu relato, os abusos eram constantes, ocorrendo em "sítios inimagináveis", havendo ainda mais pessoas visadas: "Até com a minha mãe em casa, ela no quarto dela e eu no meu, eu devia ter uns seis anos, e vi ele a fazer o mesmo a outra pessoa. Ela negou, mas eu vi. Hoje ela confirma mas é difícil para ela falar disso", desabafou.

A progenitora conseguiu divorciar-se quando a filha tinha 11 anos, após um historial de severa violência doméstica. A filha saiu em defesa da mãe: "Ela foi uma vítima, ninguém pode culpá-la. Não venham dizer 'ela não fez nada'. Ela tentou. Era violentamente agredida. Acho que fui testemunhar uma ou duas vezes na polícia."

Entre os 11 e os 18 anos, a jovem enfrentou o agressor sem qualquer apoio, numa rotina em que os abusos aconteciam "em todo o lado, a toda a hora". "Os únicos momentos em que eu tinha descanso era na escola, em que eu fingia sempre ser uma criança normal, e era quando ele fazia noites nos bombeiros, sim, ele era bombeiro", contou.

O comportamento do idoso ao filmar menores não é recente. De acordo com partilhas feitas nas redes sociais, o homem usava frequentemente uma câmara antiga de marca Sony para registar imagens de crianças junto a recintos escolares e parques públicos.

Ao ver as imagens do incidente de Portimão, a filha tentou apresentar queixa formal na esquadra, mas a caducidade do crime impediu a denúncia formal, sendo as suas declarações anexadas à investigação em curso: "O meu corpo tremeu novamente. Ficou como depoimento no processo do Fábio [pai das crianças que apanhou o homem a filmar os filhos]. Eu perdi-me várias vezes no caminho até chegar aqui, mas eu cheguei."

Revelou também que outra irmã foi abusada pelo suspeito, tendo engravidado e sofrido uma interrupção involuntária da gravidez devido aos episódios.

De recordar que o caso atual rebentou na semana passada, após um progenitor, Fábio Almeida, ter publicado um vídeo nas redes sociais onde confrontava o idoso na praça de alimentação de um espaço comercial, em Portimão, no dia 28 de junho.

Ao ser interpelado pelo pai dos menores, o homem admitiu os factos, alegando que já tinha cessado a gravação. Na sequência desta partilha, surgiu ainda o relato de uma jovem de 18 anos que afirmou ter sofrido assédio por parte do mesmo indivíduo perto da sua residência.