A presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, Vanessa Krause, admite, em exclusivo ao 24Horas, que continua sem ter garantias de quando ficará resolvido o problema da falta de água que tem afetado a freguesia nos últimos dias e acusa os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada de não fornecerem respostas concretas sobre a situação.
Em declarações ao 24Horas, Vanessa Krause explica que, apesar de o abastecimento ter sido reposto na Costa da Caparica, a preocupação mantém-se, sobretudo com a aproximação do fim de semana, altura em que a população aumenta significativamente: "O que me assusta muito são os fins de semana, porque durante a semana muitas pessoas continuam a trabalhar, mas ao fim de semana sentimos que existe muito mais população na Costa a utilizar e a precisar da água. As pessoas não estão a trabalhar, estão em casa, querem lavar a roupa, querem limpar as suas casas. Os comerciantes também têm as casas de banho a funcionar constantemente, os apoios de praia e é aí que sentimos mais impacto. É desastroso", explicou.
A autarca recorda que o abastecimento de água não é uma competência da junta de freguesia, mas sim dos SMAS de Almada e da Câmara Municipal, lamentando a falta de informação prestada às entidades locais: "A situação atual é que não temos grandes respostas por parte dos SMAS. A Junta de Freguesia não é a gestora do abastecimento de água. A única coisa que pode fazer é ajudar a população, pressionar a Câmara e os SMAS e estar junto das pessoas."
Segundo a presidente da Junta, os SMAS informaram apenas que estão a avançar com novos furos de captação de água para tentar minimizar o problema até ao final de julho, mas considera que essa resposta é insuficiente: "Aquilo que nos dizem é que vão realizar novos furos de captação para mitigar o problema até ao final de julho. Nós achamos que precisamos de soluções para daqui a cinco anos e não só momentâneas. Este problema tem acontecido ao longo dos últimos anos e, se não houver uma solução concreta, vai repetir-se."
A responsável reuniu esta segunda-feira, dia 6, com comerciantes da freguesia e garante que a principal queixa é a imprevisibilidade dos cortes, que está a provocar elevados prejuízos económicos. Segundo a autarca, hotéis, alojamentos locais e estabelecimentos comerciais também estão a ser fortemente afetados: "Quem está no alojamento decide sair, pede reembolso. Sei que chegaram até a chamar a polícia. É um grande prejuízo para todos os comerciantes e uma enorme dificuldade para quem vive aqui. Viver diariamente assim, sem saber se vai ter água quando chegar a casa ou se vai ter água para ter o seu negócio a funcionar."
Sem poder intervir diretamente na gestão da rede de abastecimento, a junta decidiu avançar com medidas de apoio à população. Com a ajuda voluntária de um agricultor da freguesia, foi distribuída água por vários bairros considerados mais vulneráveis. "Já nos oferecemos para dar água às pessoas se necessitarem. Um agricultor disponibilizou um trator e um depósito de mil litros de água e passou por alguns bairros onde sabemos que existem pessoas idosas ou com dificuldades de mobilidade", disse Vanessa Krause.
A presidente da Junta adianta ainda que aguarda uma resposta da Proteção Civil relativamente à possibilidade de serem ativadas medidas excecionais de apoio ao concelho.
Sobre a origem do problema, esclarece que apenas pode transmitir a informação que lhe foi comunicada pelos SMAS: "Aquilo que me é transmitido é que está a haver um consumo muito maior do que nos últimos anos. Se normalmente existem cerca de dois mil metros cúbicos de consumo, agora a população está a querer consumir quatro mil metros cúbicos e não existe água suficiente para responder."
Ainda assim, deixa um apelo para serem encontradas soluções estruturais e não apenas medidas de emergência.

















