Os Países Baixos decidiram manter a recusa em participar no Festival Eurovisão da Canção em 2027, numa decisão motivada pela participação de Israel e pelas dúvidas sobre a neutralidade do concurso.

A estação pública neerlandesa 'AVROTROS' anunciou esta segunda-feira, dia 24, que não irá enviar qualquer representante para a próxima edição do festival, considerando que o evento deixou de poder ser encarado como uma plataforma verdadeiramente neutra enquanto um dos países participantes estiver envolvido num conflito militar de larga escala.

Para o diretor-geral da estação, Taco Zimmerman, a Eurovisão transformou-se numa "plataforma para dividir", quando deveria ter como objetivo "aproximar as pessoas e os países".

A 'AVROTROS' considera ainda que as recentes alterações anunciadas pela União Europeia de Radiodifusão (UER) não são suficientes para recuperar a confiança na independência e neutralidade do concurso.

A estação neerlandesa aponta sobretudo para a situação humanitária na Faixa de Gaza e para as restrições à liberdade de imprensa, defendendo que continua sem existir um critério claro para determinar em que circunstâncias um país envolvido num conflito pode participar na Eurovisão.

A decisão surge depois de a participação de Israel ter voltado a provocar forte contestação na edição deste ano. Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia estiveram entre os países que boicotaram o concurso devido à ofensiva militar israelita em Gaza.

A próxima edição da Eurovisão vai realizar-se em maio de 2027, na cidade búlgara de Burgas, nos dias 11, 13 e 15. A UER anunciou recentemente novas regras para o concurso, incluindo a possibilidade de impedir um país vencedor de acolher a competição caso esteja envolvido num conflito armado ou numa situação geopolítica considerada sensível.

A Eurovisão realiza-se anualmente desde 1956 e já afastou países em situações controversas. A Bielorrússia foi excluída em 2021 e a Rússia em 2022, na sequência da invasão da Ucrânia.