A expansão da inteligência artificial está a criar uma inesperada vaga de empregos numa cidade do sul da Índia. Centenas de jovens trabalham na anotação de dados, tarefa essencial para ensinar os sistemas a reconhecer objetos, movimentos e comportamentos. Alguns passam horas a analisar imagens; outros gravam-se a cortar legumes, arrumar uma cama ou realizar ações quotidianas. As gravações são depois utilizadas para treinar robôs, automóveis autónomos e programas industriais.
O trabalho pode render apenas cerca de 2,50 dólares por hora, mas representa uma fonte importante de rendimento numa região com escassez de empregos para uma população jovem. A atividade demonstra que, apesar dos receios de substituição de trabalhadores, os modelos continuam dependentes de grandes quantidades de intervenção humana.
Os anotadores identificam erros, corrigem classificações e mostram às máquinas situações que os programadores não anteciparam. O setor também levanta dúvidas sobre salários, proteção laboral e utilização da imagem dos participantes.
Enquanto a inteligência artificial elimina algumas funções qualificadas, nomeadamente na programação, cria um exército de trabalhadores pouco visíveis que fornece às máquinas os dados de que precisam para aprender.
















