Jaques Wagner, de 75 anos, anunciou que vai deixar a liderança do governo no Senado, numa decisão tomada "em comum acordo" com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (80). O afastamento acontece poucos dias depois de o parlamentar ter sido alvo da mais recente fase da 'Operação Compliance Zero', da Polícia Federal, que investiga suspeitas relacionadas com o antigo Banco Master.

A decisão foi comunicada pelo próprio Jaques Wagner, nas redes sociais, após uma reunião com Lula. Na publicação, o senador afirmou que a prioridade passa agora por "provar a sua inocência" e dedicar-se à campanha de reeleição do Presidente Lula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e à sua própria candidatura ao Senado.

Nos últimos dias, aumentava a pressão política para que Jaques Wagner deixasse o cargo, de forma a reduzir o desgaste do Governo. Nos bastidores, o próprio senador defendia que qualquer decisão fosse tomada diretamente com Lula, para evitar a imagem de uma demissão imposta pelo Palácio do Planalto.

A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e alegado recebimento de vantagens indevidas no âmbito do caso Banco Master. Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que irá concentrar esforços na sua defesa, enquanto o Governo procura limitar o impacto político do caso a poucos meses das eleições.