A juíza federal Gabriela Hardt, que ficou conhecida por ter condenado Luiz Inácio Lula da Silva, num dos processos da 'Operação Lava Jato', foi afastada das funções durante dois anos, por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A sanção foi aplicada no âmbito de um processo disciplinar que analisou a sua atuação na homologação de um controverso acordo entre a força-tarefa da Lava Jato e a Petrobras.
O CNJ concluiu que Gabriela Hardt violou deveres funcionais ao validar, em 2019, um acordo que previa a criação de uma fundação privada para gerir cerca de 2,5 mil milhões de reais recuperados pela operação. A maioria dos conselheiros considerou que a magistrada não realizou as diligências necessárias antes de autorizar o entendimento, aplicando-lhe a pena de disponibilidade durante dois anos, com vencimentos proporcionais.
Gabriela Hardt assumiu os processos da 13.ª Vara Federal de Curitiba após a saída de Sergio Moro para o governo de Jair Bolsonaro. Em 2019, assinou a sentença que condenou Lula no caso do sítio de Atibaia, decisão que viria a ser posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), juntamente com outros processos da 'Lava Jato' contra o atual chefe de Estado.
Durante a sessão do CNJ, o presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin, defendeu uma pena mais branda, mas a maioria do plenário entendeu que a gravidade das falhas justificava o afastamento por dois anos. A defesa da magistrada alegou que Gabriela Hardt atuou de boa-fé e dentro das suas competências, mas os argumentos não convenceram a maioria dos conselheiros.
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