Os quatro suspeitos detidos ontem no âmbito da ‘Operação Imergente’, lançada pela Polícia Judiciária contra suspeitas de corrupção em autarquias do PS, foram mandados em liberdade depois de interrogados no Tribunal de Instrução Criminal.

Duarte Moral, a mulher Rute Reimão, Rui Pedro Nascimento e Emílio Vasquez Blanco, ex-porta-voz do PSOE na Galiza, estão indiciados pelo Ministério Público pela "prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio” por terem sido “favorecidos” na adjudicação de contratos por parte de autarquias e câmaras municipais.

Saíram liberdade, sem prestação de caução, mas estão proibidos de falar com os outros arguidos e com os titulares de cargos políticos e funcionários  das câmaras de Oeiras e da Amadora e das justas de freguesia da Misericórdia e de Santa Maria Maior, ambas em Lisboa.

No centro da ‘Operação Imergente’, lançada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção, está Duarte Moral, sócio-gerente da ‘Diálogo Emergente’, empresa criada em 2021 com Rui Pedro Nascimento, militante do PS de Oeiras. A sociedade dedica-se à consultoria, produção de material publicitário e campanhas de marketing, estando associada a vários contratos agora sob suspeita do Ministério Público.

Entre os negócios investigados encontra-se uma adjudicação da Junta de Freguesia da Misericórdia, em Lisboa, no valor de 22 mil euros. Ao concurso apresentaram-se a ‘Diálogo Emergente’, a ‘Bmd Comunication’, de Emílio Vasquez Blanco, e a ‘Cidade Etérea’, de Rute Reimão, mulher de Duarte Moral e assessora cultural da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior desde 2014.

O Ministério Pública suspeita de concertação entre as três empresas para favorecer a adjudicação à ‘Diálogo Emergente’. À data da contratação, a Junta de Freguesia da Misericórdia era presidida por Carla Madeira, atualmente vereadora da Câmara Municipal de Lisboa eleita pelo PS.

Emílio Vasquez Blanco, que foi porta-voz do PSOE na Galiza e reside em Portugal há vários anos, é apontado pelos investigadores como suspeito de colaboração no alegado esquema. A sua empresa, a ‘Bmd Comunication’ surge também associada a contratos celebrados com o Partido Socialista. Emílio Vasquez trabalhou na campanha da última eleição de António Costa.

De acordo com relatórios da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, a ‘Bmd Comunication’ recebeu quatro pagamentos mensais de 24.600 euros durante a campanha socialista para as eleições europeias de 2019, entre março e junho desse ano, num total de 98.400 euros.