Os primeiros testes clínicos da polilaminina em seres humanos começam no dia 24 de setembro. A substância experimental está a ser estudada como possível tratamento para lesões da medula espinal, com o objetivo de avaliar se poderá contribuir para a recuperação de movimentos.

O estudo de fase 1 contará inicialmente com cinco voluntários, com idades entre os 18 e os 72 anos. Nesta etapa, o principal objetivo será avaliar a segurança da aplicação da polilaminina em seres humanos. A eficácia do tratamento será analisada apenas em fases posteriores da investigação.

Os participantes terão de apresentar uma lesão medular completa entre as vértebras T2 e T10, provocada por um trauma ocorrido há menos de 72 horas, e ter indicação para uma cirurgia de descompressão da medula. A substância será aplicada diretamente na região lesionada durante o procedimento cirúrgico.

Após a intervenção, os pacientes serão acompanhados por equipas médicas e encaminhados para um programa de reabilitação. O acompanhamento clínico deverá prolongar-se durante seis meses, permitindo aos investigadores avaliar a segurança e possíveis alterações no quadro dos participantes.

A polilaminina foi desenvolvida a partir da laminina, uma proteína naturalmente presente no organismo e que desempenha funções importantes no sistema nervoso. A investigação sobre a substância decorre há mais de duas décadas e já apresentou resultados experimentais considerados promissores em estudos com animais.

A substância também foi utilizada anteriormente num estudo-piloto com oito pessoas com lesões da medula. Alguns participantes apresentaram melhorias motoras, mas os investigadores não conseguiram estabelecer que essas alterações tenham sido provocadas diretamente pela polilaminina.

Por isso, o início dos testes clínicos representa uma nova etapa da investigação. Os resultados da fase 1 deverão determinar se a substância apresenta condições de segurança para avançar para estudos maiores, nos quais poderá ser avaliada de forma mais rigorosa a sua eventual eficácia.