O julgamento de José Sócrates, de 69 anos, por branqueamento de capitais, no âmbito de um processo separado da 'Operação Marquês', foi adiado esta segunda-feira, 19, para dia 30. À saída do tribunal, o antigo primeiro-ministro socialista não poupou críticas à justiça portuguesa.

"É um absurdo. Abriu o teatro do absurdo", declarou Sócrates, considerando incompreensível estar a ser julgado em dois processos relacionados com os mesmos factos. "É uma violência absoluta, como nunca antes visto", afirmou, acrescentando que até "o Ministério Público está contra o julgamento".

O adiamento foi anunciado pelo juiz-presidente Rúben Vieira, depois de a defesa ter apresentado dois requerimentos na sexta-feira. O Ministério Público solicitou três dias para se pronunciar.

Neste processo, Sócrates e o empresário Carlos Santos Silva, de 67 anos, respondem por branqueamento de capitais relacionado com alegadas movimentações financeiras entre 2011 e 2014.

Segundo a acusação, Santos Silva terá funcionado como testa-de-ferro do antigo governante para ocultar dinheiro alegadamente proveniente de corrupção envolvendo o Grupo Lena, o Grupo Espírito Santo e Vale do Lobo. O processo principal da 'Operação Marquês' decorre desde julho de 2025, com 21 arguidos.

O novo julgamento deverá prolongar-se, pelo menos, até abril de 2027. Ambos os arguidos negam qualquer crime. A acusação de falsificação de documento, inicialmente incluída neste processo, acabou por prescrever.