O CDS-PP desafiou o Chega a manter a posição assumida na votação da nova lei do arrendamento urbano, esta quarta-feira, 21, apesar das manifestações realizadas nos últimos dias em Lisboa e no Porto. Paulo Núncio, líder parlamentar dos democratas-cristãos, advertiu que seria "muito mau" que os partidos recuassem por receio dos manifestantes, que classificou como "arruaceiros".

"Espero sinceramente que as acampadas não atemorizem os partidos que aprovaram na generalidade a lei das rendas. Seria muito mau que esses partidos voltassem atrás, porque têm medo de arruaceiros", afirmou Paulo Núncio, durante uma conferência sobre o Orçamento do Estado para 2027, organizada pelo Jornal Económico e pela EY, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O deputado reconheceu a gravidade da crise habitacional, mas defendeu que a solução passa por devolver confiança aos proprietários, incentivando a colocação de mais imóveis no mercado de arrendamento.

Paulo Núncio responsabilizou ainda os anteriores governos socialistas pelo agravamento do problema, criticando as políticas de habitação adotadas desde 2017. "Toda a gente se lembra dos arrendamentos forçados e da perseguição aos proprietários", acusou, acrescentando que a intervenção do Estado nos moldes defendidos pelo PS agrava a situação.

A proposta do Governo foi aprovada na generalidade em 30 de setembro, com votos favoráveis de PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal, abstenção do Chega e oposição de PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP.

O Executivo da AD e o Chega, recorde-se, acordaram negociar alterações ao diploma na especialidade.