José Sócrates, de 69 anos, regressou ao Tribunal Central Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, esta quinta-feira, dia 10, onde está a ser julgado no âmbito da 'Operação Marquês'. À chegada, o antigo primeiro-ministro criticou a condução do processo e afirmou estar sem advogado, defendendo que o tribunal deveria conceder tempo à defesa para se preparar.
“Quando o advogado renuncia, é em função da sua própria consciência. Não fui consultado para isso, respeitei apenas isso”, declarou Sócrates aos jornalistas, sustentando que não pode ser responsabilizado pela renúncia do mandatário.
O antigo chefe do Governo socialista, que liderou o Executivo entre 2005 e 2011, revelou ter entretanto escolhido Filipe Batista para assumir a defesa. Segundo Sócrates, o advogado mostrou-se disponível para aceitar o mandato, mas pediu dez dias para preparar o processo. “Fiz isso para ir ao encontro do tribunal. A senhora juíza não quer dar tempo nenhum a ninguém.”
Sócrates voltou também a contestar as acusações que enfrenta. “Há 12 anos que enfrento uma acusação falsa de corrupção”, afirmou, acrescentando: “Agora já ninguém fala da corrupção. Como se isso já não tivesse importância nenhuma.”
A 'Operação Marquês' teve início em 2013 e a acusação do Ministério Público foi deduzida em outubro de 2017. Depois de uma longa fase de instrução, o julgamento de José Sócrates e de outros 20 arguidos arrancou a 3 de julho de 2025, no Tribunal Central Criminal de Lisboa. O processo envolve acusações de corrupção e outros crimes económico-financeiros e tem ainda dezenas de testemunhas por ouvir.

















