José Sócrates afirmou esta quinta-feira, dia 10, durante o julgamento da 'Operação Marquês', que foi o Governo de Pedro Passos Coelho, através do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que negociou um acordo considerado vantajoso para o Grupo Lena na Venezuela.
“Quem ajudou a empresa Lena a fazer um negócio bom para a empresa Lena foi o Governo que me sucedeu”, declarou o antigo primeiro-ministro, que regressou ao Tribunal Central Criminal de Lisboa praticamente um ano depois das últimas declarações e sem advogado.
Sócrates, de 69 anos, procurou afastar a tese de que o Grupo Lena foi favorecido durante os seus governos, entre 2005 e 2011, atribuindo ao Executivo seguinte PSD/CDS o trabalho diplomático que permitiu à empresa avançar com projetos de construção de habitação na Venezuela. “Quem deve ter o mérito de promover uma diplomacia económica foi o Governo do dr. Passos Coelho e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, o dr. Paulo Portas”, sustentou. “Este acordo é da maior importância. Foi feito no tempo do dr. Passos Coelho. Não posso ser mais elogioso."
O Ministério Público defende na acusação que o Grupo Lena terá entregado quase 2,4 milhões de euros a Sócrates em troca de apoio privilegiado no concurso para construção de habitação social na Venezuela, acusação que o ex-governante do PS rejeita.
José Sócrates é um dos 21 arguidos da 'Operação Marquês' e responde, entre outros crimes, por três de corrupção, relacionados com alegados favorecimentos ao Grupo Lena, ao Grupo Espírito Santo e ao empreendimento Vale do Lobo.

















