Um juiz norte-americano ordenou a retirada do nome do presidente Donald Trump, de 79 anos, da designação do Kennedy Center, a principal sala de espetáculos de Washington, revertendo a mais recente alteração introduzida na instituição.

A decisão foi proferida esta sexta-feira, dia 29, pelo juiz Christopher Cooper, que considerou que a mudança de nome não podia ser feita sem aprovação do Congresso. Na mesma decisão, o magistrado bloqueou também, de forma temporária, o encerramento do centro cultural durante dois anos, previsto no âmbito de um plano de obras de renovação.

Com esta determinação, o espaço deverá regressar à sua designação original, o ‘John F. Kennedy Center for the Performing Arts’, nome atribuído na inauguração em 1971 em homenagem ao presidente assassinado em 1963. Antes da decisão, o edifício tinha sido rebatizado como ‘Donald J. Trump and John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Art’, na sequência de uma decisão do conselho de administração.

“O estatuto do Kennedy Center deixa absolutamente claro que o Centro deve ser nomeado em homenagem ao presidente Kennedy e não pode ter qualquer outro nome oficial ou memorial público baseado na decisão unilateral do Conselho”, escreveu Cooper numa decisão com 94 páginas, sublinhando ainda que “o Congresso deu o nome ao Kennedy Center e só o Congresso pode mudá-lo”.

O tribunal determinou ainda que qualquer referência a Donald Trump seja removida da fachada, sinalética física e digital e de todos os materiais oficiais no prazo de 14 dias.

Em reação, a administração da instituição já indicou que vai recorrer da decisão. “Estamos confiantes de que, no recurso, o tribunal manterá a vontade do Conselho de reconhecer as contribuições históricas do presidente Trump para o centro cultural da nossa nação”, afirmou a porta-voz Roma Daravi, citada pela CBS News.

A mesma responsável acrescentou que será também analisado o bloqueio ao encerramento temporário do espaço. “O Centro requer uma restauração urgente e significativa”, disse, defendendo que existem fundos já assegurados e aprovados.

O processo judicial resulta de ações apresentadas por organizações de preservação cultural e por uma congressista democrata do Ohio, que contestaram as alterações e alertaram para eventuais violações das regras de proteção do edifício.

Segundo os documentos do caso, os advogados do Departamento de Justiça sustentaram que o plano de renovação se enquadra na autoridade do conselho, sem necessidade de aprovação externa, enquanto os autores da ação alertaram para riscos na preservação da estrutura histórica.

Recorde-se que desde a sua tomada de posse em 2025, Donald Trump promoveu alterações na gestão do Kennedy Center, incluindo a substituição de elementos da direção e mudanças na programação cultural, que passou a incluir mais eventos de cariz religioso e conservador.

Num discurso recente no local, Trump afirmou querer “reformar o Kennedy Center para que possa voltar a ser o principal local de artes cénicas de todo o país”, acrescentando: “Acabámos com a política ‘woke’ deste grande espaço para espetáculos”.