Laura Dutra, de 28 anos, defende que as novelas portuguesas devem dar mais espaço a personagens LGBTQIA+ e apresentar histórias que reflitam a diversidade da sociedade: "Permitiria que mais pessoas se vissem refletidas no ecrã", afirmou a atriz.

A atriz luso-brasileira, que soma já uma década de trabalho na televisão e no cinema, abordou temas como sexualidade, preconceito e representatividade numa entrevista à revista Máxima.

A trabalhar também no Brasil, Laura Dutra diz ter encontrado naquele país uma maior abertura para falar sobre identidade, corpo e diversidade. “Uma das coisas que mais me tem chamado a atenção no Brasil é a naturalidade com que muitas questões ligadas ao corpo, à identidade e à diversidade fazem parte das conversas do dia a dia”, contou.

Apesar dessa diferença, a atriz considera que continuam a existir desafios dos dois lados do Atlântico. Em Portugal, lamenta que episódios de discriminação sejam muitas vezes relativizados, incluindo situações de racismo, machismo, homofobia ou transfobia.

Na ficção, a representação da comunidade LGBTQIA+ assume um papel importante para Laura. A atriz aponta como exemplo a personagem Celina, que interpreta na série Vermelho Sangue, da Globoplay, e que vive uma relação amorosa com outra mulher.

O papel permitiu-lhe perceber diretamente o impacto que uma representação natural pode ter no público. “Fiquei muito feliz com a forma como foi recebida pelo público, em particular pela comunidade queer e pelo universo sáfico”, revelou.

É precisamente essa normalização que gostaria de ver mais vezes na televisão portuguesa.

“Acho que devíamos implementar isto nas novelas portuguesas, ter mais personagens LGBTQIA+, até porque em Portugal há mais visibilidade no horário nobre, não como algo extraordinário e sim porque fazem parte da nossa realidade”, defendeu.

A atriz acredita que mostrar diferentes formas de viver e de amar pode ajudar a combater preconceitos e permitir que mais espectadores reconheçam as suas próprias experiências nas histórias que acompanham.

A questão da sua própria sexualidade também já foi colocada publicamente. Durante a promoção de Vermelho Sangue, Laura foi questionada sobre se era heterossexual e respondeu: “Sou do mundo.”

Ainda assim, faz questão de preservar a sua vida pessoal e considera que defender a igualdade não implica revelar aspetos íntimos da sua vida.

“Há uma diferença entre aquilo que escolhemos partilhar e aquilo que pertence à nossa esfera privada”, explicou.

Além da televisão, Laura Dutra prepara-se para novos trabalhos no cinema, com projetos dos realizadores Luís Galvão Teles e Tiago R. Santos.

A atriz acredita que a profissão lhe dá uma responsabilidade particular pela influência que as histórias podem ter no público. Para Laura, as personagens não precisam de ser perfeitas para transmitir uma mensagem: as suas contradições, erros e escolhas também podem ajudar a questionar preconceitos e a olhar para diferentes realidades com maior compreensão.