A família Amorim, considerada a mais rica de Portugal, concluiu a saída do setor bancário brasileiro ao vender a participação de 32,8 por cento que ainda detinha no Banco Luso Brasileiro (BLB). A operação, realizada em abril, põe fim a um investimento iniciado em 2012 e representa o encerramento de um ciclo de mais de 14 anos na instituição financeira sediada em São Paulo.

O comprador foi o grupo Ruas e Cunha (RC Participações), um conglomerado de empresas liderado pelo emigrante português José Ruas Vaz, natural de Viseu, e que fez fortuna no Brasil a partir de uma forte presença no transporte rodoviário. A RC Participações passou a controlar 91,55% do capital do BLB, consolidando a sua posição como acionista maioritário.

A decisão surge numa altura em que o banco enfrenta uma quebra significativa da rentabilidade. No primeiro semestre de 2026, o BLB registou um lucro líquido de 106,2 milhões de reais (cerca de 18,1 milhões de euros), menos 56,3% do que no mesmo período do ano anterior, sendo que a administração atribui a descida ao reforço das provisões para crédito e à ausência de ganhos extraordinários registados em 2025.

Contudo, apesar da redução dos resultados, a carteira de crédito continuou a crescer, atingindo os três mil milhões de reais, sinal de que a atividade comercial se mantém dinâmica.

A alienação insere-se na estratégia de reorganização do Grupo Américo Amorim, atualmente liderado pela viúva e pelas três filhas do empresário, que têm vindo a concentrar os investimentos em áreas consideradas mais estratégicas, encerrando um capítulo relevante da presença da família na banca brasileira.