Centenas de pessoas passaram a segunda noite acampadas na Porta do Sol, no centro de Madrid, num protesto contra a crise da habitação que os participantes garantem não ter, para já, data para terminar. Mais de 300 tendas, como o 24Horas testemunhou, ocupam a emblemática praça da capital espanhola, apesar da descida das temperaturas e da previsão de chuva.
A mobilização começou no sábado, dia 26, após uma manifestação contra os despejos e pela adoção de medidas que facilitem o acesso à habitação. Segundo o Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid, organizador do protesto, a marcha juntou 300 mil pessoas. As autoridades apontam, porém, para cerca de 25 mil participantes.
O protesto foi convocado sob o lema 'Nem mais uma Maricarmen', numa referência a Maricarmen Abascal, de 87 anos, despejada na quarta-feira da casa onde vivia desde 1956, depois de uma decisão judicial favorável ao fundo de investimento proprietário do apartamento. O caso tornou-se um símbolo da contestação à situação da habitação em Espanha.
Os manifestantes aguardam agora por terça-feira, dia 29, quando o governo de Pedro Sánchez discutir em Conselho de Ministros um decreto-lei sobre habitação. O sindicato exige contratos de arrendamento por tempo indeterminado e a suspensão de despejos quando não exista alternativa habitacional.
Na Porta do Sol, onde permanecem entre 500 e mil pessoas, foram instaladas uma cozinha comunitária e estruturas para distribuir alimentos e água. A imagem das tendas no coração de Madrid recupera inevitavelmente a memória do movimento dos 'Indignados', que em 2011 ocupou durante semanas a mesma praça.

















