Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, confessou que está a “carregar nas costas” o que classificou como uma situação de “promiscuidade” estabelecida no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante a primeira reunião da coordenação da campanha do presidente do Brasil após o primeiro turno das eleições de 2026.
Lula relacionou a situação ao desgaste provocado por revelações envolvendo o Banco Master e integrantes do Supremo. Sem citar nominalmente o caso durante a declaração, o presidente afirmou que a crise passou a representar um problema político para o seu governo e para a campanha do segundo turno.
“Estamos a carregar nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessa denúncia”, afirmou Lula.
O presidente também defendeu uma nova discussão sobre uma reforma do Poder Judiciário. Segundo Lula, a desconfiança da população em relação ao Supremo é uma questão que precisa ser enfrentada durante a campanha eleitoral.
“Quando se chega a uma situação em que a Suprema Corte está sob a desconfiança da sociedade, algo é muito grave. Então, esses são temas que nós vamos ter de enfrentar nesta campanha”, declarou.
As declarações ocorrem no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master, que levaram a questões sobre encontros e relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes do STF. Entre os ministros mencionados no caso estão Alexandre de Moraes, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli.
O tema também passou a ser utilizado pela oposição na campanha eleitoral. O candidato Flávio Bolsonaro explorou as críticas ao Supremo durante o primeiro turno e associou o presidente à crise envolvendo a Corte.
A reunião desta segunda-feira serviu ainda para definir a estratégia de Lula para os 20 dias que antecedem o segundo turno. O presidente terminou a primeira etapa da eleição com 45,16% dos votos válidos, atrás de Flávio Bolsonaro, que obteve 47,03%. A diferença foi de pouco mais de 2,3 milhões de votos.
Lula também pediu aos aliados que não responsabilizem os eleitores pelo resultado das urnas. O presidente afirmou que os candidatos devem procurar compreender por que não conseguiram convencer parte do eleitorado, em vez de criticar quem escolheu outras candidaturas.
Para o segundo turno, Lula defendeu ainda a realização de debates televisivos. Segundo o presidente, a nova etapa da eleição permite um confronto direto entre os dois candidatos, com espaço para que cada um apresente as suas propostas e responda aos argumentos do adversário.
O primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro está previsto para domingo, dia 11, às 20:00, na Band, em parceria com outros veículos de comunicação. Se os dois candidatos participarem, será o primeiro confronto direto entre eles nesta eleição.
Ao falar sobre a disputa, Lula demonstrou confiança na possibilidade de vitória e afirmou que pretende intensificar a campanha durante as próximas semanas.

















