A capacidade de reconhecer formas, padrões e relações geométricas poderá ter origens evolutivas muito mais antigas do que se pensava.

Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences conclui que macacos e humanos recorrem a mecanismos cognitivos semelhantes para identificar figuras geométricas, sugerindo que esta aptidão já existia antes da separação evolutiva entre as duas espécies.

A investigação, liderada pela neurocientista Jialin Li, da Universidade Carnegie Mellon, comparou o desempenho de macacos rhesus e babuínos-oliva com crianças em idade pré-escolar e adultos. Todos os participantes foram submetidos a testes de correspondência visual, nos quais tinham de reconhecer uma determinada forma entre várias alternativas, mesmo quando esta surgia rodada, redimensionada ou apresentada sob outra perspetiva.

Os resultados mostraram que tanto humanos como primatas não humanos conseguem identificar corretamente as propriedades fundamentais das figuras, recorrendo a princípios geométricos comuns. Para os investigadores, esta semelhança indica que a chamada “intuição geométrica” não resulta apenas da aprendizagem escolar, mas faz parte de capacidades cognitivas profundamente enraizadas na evolução.

Os autores defendem que a descoberta poderá ajudar a compreender melhor o funcionamento do cérebro e a forma como diferentes espécies processam informação visual. Além disso, abre novas perspetivas para o ensino da matemática, permitindo identificar quais os conceitos geométricos mais intuitivos e quais exigem maior aprendizagem.

A próxima etapa da investigação passa por descobrir que formas ou relações geométricas representam maior dificuldade tanto para macacos como para humanos, procurando mapear os limites desta capacidade partilhada e aprofundar o conhecimento sobre a evolução da cognição espacial.