Milhares de pessoas na China estão a pagar cerca de 22 euros por tutoriais que ensinam a utilizar ferramentas de Inteligência Artificial capazes de criar imagens falsas de nudez a partir de fotografias, num fenómeno que está a preocupar as autoridades e a alimentar um lucrativo mercado ilegal.

Segundo a televisão estatal chinesa CCTV, basta uma fotografia para, em poucos segundos ou minutos, gerar uma imagem manipulada através de tecnologia deepfake, simulando que a pessoa está nua. As pesquisas por expressões como "despir com um clique" revelaram centenas de tutoriais e publicações que ensinam a utilizar estas ferramentas.

As autoridades já começaram a apertar o cerco. Em março, recorde-se, a Polícia desmantelou uma rede que enviava imagens falsas de nudez a funcionários bancários para os chantagear. Ao todo, foram intercetadas 280 cartas usadas neste esquema.

Num outro caso, um homem identificado apenas pelo apelido Zhang foi condenado a um ano e seis meses de prisão, depois de vender cursos e tutoriais sobre estas ferramentas em grupos com mais de 21 mil membros, lucrando mais de 13 mil euros.

Outro programador, de apelido Bai, também acabou condenado a três anos de prisão por produzir e vender quase sete mil imagens falsas de nudez de mulheres, criadas através de Inteligência Artificial, a 351 compradores.

As autoridades chinesas alertam que estas ferramentas não removem realmente a roupa das pessoas, mas utilizam tecnologia deepfake para criar imagens falsas extremamente realistas, facilitando a produção em massa de conteúdos usados para chantagem, humilhação e outros crimes.