A Comissão Europeia acusa as autoridades de Macau de aprofundarem a erosão das liberdades fundamentais em nome da segurança nacional. Num relatório divulgado sobre a evolução do território em 2025, Bruxelas recorda que os direitos protegidos pelo princípio 'um país, dois sistemas' deveriam manter-se, pelo menos, até 2049.
O documento destaca a detenção, em julho, do antigo deputado pró-democracia Au Kam San, acusado de alegado conluio com forças estrangeiras e desde então em prisão preventiva, e assinala também o encerramento do órgão de comunicação independente All About Macau, após o cancelamento do seu registo, bem como a exclusão de 12 candidatos às eleições para a Assembleia Legislativa.
A posição europeia tem especial significado para Portugal. A Declaração Conjunta Luso-Chinesa de 1987, que enquadrou a transferência da administração de Macau para a China, estabeleceu as garantias hoje invocadas por Bruxelas, sendo que
até ao momento, não é conhecida uma reação pública da diplomacia portuguesa às conclusões do relatório.
Este silêncio de Lisboa, nomeadamente de Paulo Rangel, normalmente muito célere na abordagem de questões referentes aos Direitos Humanos, tem sido
visto com alguma estranheza junto de fontes diplomáticas, especialmente quando está em causa o cumprimento dos compromissos assumidos perante Portugal, que a detenção de um antigo deputado, o desaparecimento de um meio de comunicação independente e a exclusão de candidatos, têm sido postos em causa.

















