O Ministério da Administração Interna (MAI) enfrenta uma nova saída na sua estrutura dirigente. Joaquim Morgado, secretário-geral adjunto responsável pela área eleitoral, pediu para cessar funções para assumir um cargo num organismo do Ministério da Educação, confirmou esta quarta-feira o MAI à agência Lusa.
O responsável, que exercia funções desde 2020, tinha solicitado inicialmente que a saída produzisse efeitos a 26 de outubro. Posteriormente, pediu que a cessação de funções fosse adiada para dia 31, data que acabou por ser autorizada.
Segundo o esclarecimento enviado à Lusa, Joaquim Morgado pertence aos quadros do Ministério da Defesa Nacional e apresentou um pedido de cedência de interesse público para passar a exercer funções na área da Educação.
A saída surge num período de mudanças na estrutura do MAI, apenas 15 dias depois de o ministro Luís Neves ter afastado Ricardo Carrilho do cargo de secretário-geral. A decisão provocou uma troca de acusações entre ambos, com o antigo responsável a classificar a exoneração como um “ato de retaliação” e a denunciar alegadas “pressões ilegítimas” e “interferência política asfixiante”.
Por sua vez, Luís Neves justificou o afastamento com uma “quebra de confiança” e com situações que, segundo o ministro, comprometeram o funcionamento dos serviços. A reorganização da Secretaria-Geral foi também apontada como uma das razões para a decisão.
No pedido de cessação de funções, Joaquim Morgado manifestou disponibilidade para assegurar uma transição ordenada. Entre o trabalho desenvolvido durante o seu percurso, destacou a administração e organização dos atos eleitorais, a modernização dos sistemas eleitorais e referendários e a proteção de dados.
Esta não é a primeira saída de um secretário-geral adjunto do MAI nos últimos meses. Cerca de quatro meses antes, António Pombeiro também abandonou o cargo, na sequência da polémica relacionada com a renomeação do general Paulo Viegas Nunes para a liderança da empresa responsável pela gestão do SIRESP.
Entretanto, Nuno Miguel Parreira da Silva assumiu a liderança da Secretaria-Geral do MAI a 15 de outubro, sucedendo a Ricardo Carrilho. A nova saída volta a colocar a estrutura dirigente do ministério sob os holofotes, num contexto de reorganização dos serviços e de divergências em torno da sua gestão.

















