Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula da Silva na segunda volta das presidenciais brasileiras, declarou-se esta quarta-feira "o verdadeiro presidente eleito do Brasil", numa carta divulgada a partir dos Estados Unidos, para onde viajou com a família. O senador alega fraude eleitoral, sem apresentar provas, e anuncia que vai liderar a oposição a partir do estrangeiro.

A carta, a primeira manifestação pública de Flávio Bolsonaro desde que deixou o Brasil, foi divulgada pelo comentador Paulo Figueiredo, aliado da família. O senador optou por não dar conferência de imprensa.

No texto, o filho mais velho de Jair Bolsonaro agradece ao Presidente argentino, Javier Milei, e a Donald Trump, "por me acolher". Washington confirmou apenas a concessão de vistos ao senador e à família. Trump disse aprovar a entrada de Flávio no país, mas não o reconheceu como presidente eleito.

Flávio Bolsonaro atribui a derrota a uma decisão do juiz do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, antigo advogado de Lula, que prolongou a votação de domingo. Segundo o senador, essa decisão permitiu que Lula somasse "mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno". A alegação é desmentida pelos dados oficiais: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou apenas 34 mil votos depois das 17h00. A própria campanha de Flávio Bolsonaro, tal como a de Lula, tinha pedido ao TSE o prolongamento da votação, facto que a carta omite.

O senador pede ainda a cassação da candidatura Lula-Alckmin, por alegado abuso de poder durante a campanha.

Flávio Bolsonaro nega ter fugido. "Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil", escreve, e compara-se a Charles de Gaulle, Rui Barbosa e María Corina Machado. Garante que "não existe nenhum mandado de prisão" contra si e acusa Alexandre de Moraes de perseguição política.

Foi Moraes quem, na segunda-feira, ordenou ao senador que entregasse os passaportes à Polícia Federal, no âmbito de um inquérito por suspeita de branqueamento de capitais. No mesmo dia, Flávio garantiu em vídeo que não pretendia sair do país. Partiu na terça-feira.

Lula foi reeleito no domingo com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.

Na carta, o senador dirige-se aos parlamentares que ajudou a eleger: "Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr." O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado termina no fim de janeiro.