A lista encabeçada por Bruno Mascarenhas, vereador do Chega na Câmara de Lisboa, foi rejeitada pela Mesa Distrital de Lisboa do partido. Com esta decisão, não poderá concorrer à eleição dos delegados à VII Convenção Nacional. Uma eleição marcada para este sábado, 31 de outubro.

O 24Horas teve acesso à comunicação escrita na qual a Mesa justifica a decisão com a falta de resposta do vereador para corrigir as irregularidades identificadas, depois de ultrapassados todos os prazos excecionais concedidos. Por isso, a candidatura "Lisboa com Ventura26" foi declarada "não se encontrando legitimada nem apta" para ir a votos. A comunicação não especifica quais eram as irregularidades.

A decisão foi comunicada também à Mesa Nacional, ao Conselho de Jurisdição Nacional e ao Conselho de Jurisdição Distrital de Lisboa do partido.

Mascarenhas encabeçava, com João Rodrigues dos Santos, vereador do Chega em Cascais, uma lista alternativa à de Patrícia Almeida, presidente da distrital de Lisboa. A votação para os delegados decorre em simultâneo com as eleições diretas para a presidência do partido. André Ventura é o único candidato, já que o prazo de candidaturas terminou a 12 de outubro sem alternativas.

As duas listas garantiam apoiar a reeleição de Ventura. A disputa era pelo controlo da representação da maior distrital do Chega. Os dois vereadores lançaram o site "lisboacomventura26", onde pediam a inscrição de militantes numa lista que pretendia conquistar a maioria dos delegados de Lisboa. Patrícia Almeida, que é também deputada, afirmou que "jamais apoiaremos ou acompanharemos 'oposições'", numa aparente referência a Mascarenhas.

Entre os candidatos a delegados da lista de Mascarenhas estava também Pedro Tomé Aleixo. Tomé Aleixo encabeçou uma lista à distrital de Lisboa que foi derrotada pela de Patrícia Almeida nessas eleições internas.

A Convenção realiza-se de 20 a 22 de novembro no Pavilhão Municipal do Entroncamento e vai reunir mais de mil delegados. O Entroncamento é uma das câmaras conquistadas pelo Chega nas autárquicas de 2025.

O vereador lisboeta tem estado sob pressão interna desde março. Nessa altura, uma reportagem da RTP revelou que Mafalda Livermore, sua companheira e indicada por si para os Serviços Sociais da Câmara de Lisboa, era proprietária de imóveis arrendados de forma alegadamente clandestina a imigrantes. Livermore foi exonerada do cargo e desfiliou-se do Chega.

Na sequência do caso, a deputada e dirigente nacional Rita Matias pediu publicamente a demissão de Mascarenhas. O líder da bancada do Chega na Assembleia Municipal de Lisboa, Luís Pereira Nunes, também se demarcou do vereador. Mascarenhas recusou renunciar ao mandato.


Mascarenhas foi o cabeça de lista do Chega à Câmara de Lisboa nas autárquicas de 2025. Nessa eleição, o partido elegeu dois vereadores: ele próprio e Ana Simões Silva. Ana Simões Silva passou entretanto a independente e assumiu pelouros no executivo de Carlos Moedas.

Créditos: Instagram @bruno_mascarenhas_vereador