Mais de 200 estudantes manifestaram-se esta quarta-feira, 28 de outubro, em Coimbra, contra a proposta do Governo de descongelamento das propinas no ensino superior. Os jovens exigem mais apoios sociais, melhores condições de acesso à habitação e um reforço das residências universitárias.

A concentração começou ao final da tarde, junto ao largo D. Dinis, na Alta Universitária, seguindo depois em marcha até à sede da Associação Académica de Coimbra (AAC), com passagem pelas Escadas Monumentais. Durante o protesto, os estudantes empunharam cartazes e uma tarja com críticas às propinas e às dificuldades económicas enfrentadas pela comunidade académica.

Entre as palavras de ordem ouviam-se “Bolsas sim, propinas não!” e “Estudantes unidos, jamais serão vencidos!”. Alguns cartazes dirigiam-se diretamente aos responsáveis políticos, com mensagens como “O futuro não se fatura”, dirigida ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, e “Egoísmo é roubar o futuro dos jovens”, numa crítica ao primeiro-ministro, Luís Montenegro.

José Fernandes, de 19 anos, representante do movimento Avançamos pela Académica, responsável pela convocação da manifestação, alertou para os obstáculos que os estudantes enfrentam no acesso ao ensino superior. Entre as principais preocupações estão a proposta de aumento das propinas, a falta de apoios sociais e as dificuldades relacionadas com as repúblicas de estudantes.

O estudante de História, destacou ainda o impacto do custo de vida e da crise na habitação, bem como a falta de vagas nas residências universitárias. Segundo o responsável, há estudantes que são obrigados a conciliar os estudos com um emprego para conseguirem suportar as despesas básicas.

Também Beatriz Rosa, aluna de Estudos Artísticos, criticou a falta de respostas em áreas como a habitação e os apoios sociais. Já António Pinto, estudante de Serviço Social, defendeu que o descongelamento das propinas não deve ser uma prioridade do Governo.

A manifestação contou ainda com a participação de Isabel Figueiredo, estudante internacional de Arqueologia, que paga sete mil euros anuais de propinas. A estudante brasileira defendeu que a educação deve ser acessível a todos, independentemente das condições económicas.

Os estudantes exigem, assim, medidas que garantam não só o acesso, mas também a permanência no ensino superior, defendendo que as dificuldades económicas não devem impedir os jovens de prosseguir os estudos.