O Ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, de 68 anos, defendeu que Portugal continua excessivamente dependente dos combustíveis fósseis, considerando que o País ainda tem uma "soberania energética quase rudimentar" e que é necessário acelerar a descarbonização da economia.

Durante uma audição na Comissão de Economia e Coesão Territorial, na Assembleia da República, o governante sublinhou que a política energética não diz apenas respeito ao Ministério do Ambiente, mas também assume um papel central na estratégia económica do País.

Segundo Castro Almeida, Portugal deve apostar no reforço do investimento em fontes de energia limpas e competitivas. O ministro lembrou que a eletricidade representa menos de 20% da energia consumida no País, o que demonstra a forte dependência dos combustíveis fósseis.

"Não é bom para nenhuma economia estar tão dependente de matérias-primas que não temos no nosso país", afirmou, acrescentando que a descarbonização permitirá não só responder aos desafios ambientais, como também tornar a economia portuguesa "mais competitiva, mais autónoma e mais soberana do ponto de vista nacional".

O governante anunciou ainda que está em curso um grupo de trabalho responsável pela elaboração da estratégia industrial verde, que reúne entidades como a ADENE, o IAPMEI e a AICEP.

De acordo com Castro Almeida, esse grupo deverá apresentar um primeiro relatório no final de agosto, estando as conclusões finais previstas para o final do ano. O objetivo passa por definir uma estratégia nacional para o desenvolvimento das cadeias de valor ligadas à descarbonização industrial.

Questionado sobre o eventual impacto do conflito no Irão nos preços dos combustíveis, o ministro recordou as medidas adotadas anteriormente pelo Governo, nomeadamente a redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), mecanismo utilizado para atenuar os efeitos da subida do preço das matérias-primas.