A Altice International, empresa que concentra os ativos de telecomunicações do grupo de Patrick Drahi em Portugal, República Dominicana e Israel, foi formalmente acusada por um grupo de credores de incumprimento de mais de 2 mil milhões de euros de dívida, num diferendo que poderá desencadear uma prolongada batalha judicial.
Segundo o jornal Financial Times, os credores, que detêm cerca de 8 mil milhões de euros em dívida sénior da empresa, alegam que várias operações realizadas pela Altice violaram cláusulas dos contratos de financiamento, reduzindo as garantias disponíveis em caso de incumprimento.
No centro da disputa está uma operação efetuada no final de 2025 que retirou da esfera de garantias ativos considerados estratégicos, entre os quais a Altice Portugal e a Altice Caribbean. Estas duas empresas representam cerca de 80 por cento dos resultados operacionais da Altice International e, até então, constituíam uma das principais garantias dos financiadores.
Os credores contestam igualmente cerca de 5 mil milhões de euros em empréstimos intragrupo que, segundo sustentam, transferiram valor para fora da empresa em prejuízo dos detentores da dívida.
O diferendo surge numa altura em que Patrick Drahi prossegue um vasto processo de reestruturação do seu império das telecomunicações. Em junho, o empresário acordou a venda da operadora francesa SFR por 20,35 mil milhões de euros a um consórcio formado pela Bouygues Telecom, Iliad e Orange.

















