Luís Montenegro, de 53 anos, lamentou esta sexta-feira, dia 19, que o Chega tenha votado ao lado dos partidos de esquerda para inviabilizar a proposta de reforma laboral apresentada pelo Governo no Parlamento.

Em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro garantiu que o chumbo do diploma não altera a estratégia do Governo, assegurando que continuará a apresentar medidas destinadas a reforçar a competitividade da economia portuguesa.

"O Governo não vai desistir de dar a Portugal condições para que o País seja mais competitivo, seja mais produtivo e, por via disso, se possam gerar mais oportunidades de emprego e pagar melhores salários", afirmou.

Montenegro sublinhou que este continua a ser um dos principais objetivos do Executivo: "Esse objetivo é central e vai permanecer intacto nas políticas e nas propostas do Governo."

O primeiro-ministro criticou ainda a convergência entre o Chega e os partidos da esquerda na votação, considerando que ambos acabaram por rejeitar uma reforma que, na sua perspetiva, procurava preparar o País para o futuro: "Não posso deixar, obviamente, de lamentar que, quer à esquerda, quer à direita, este sentido estratégico e de futuro não tenha tido acolhimento. E, pelo contrário, os dois extremos do espectro político português se tenham juntado praticamente usando os mesmos argumentos."

Luís Montenegro revelou também que, antes da votação, decorreram negociações com o Chega e que, em vários pontos, parecia existir margem para um entendimento: "O processo negocial foi profundo e sério. E, na grande maioria das matérias, vislumbrava-se um entendimento relativamente fácil de alcançar."

Contudo, o líder da AD explicou que o partido liderado por André Ventura condicionou o apoio ao diploma à alteração das regras relativas à idade da reforma, uma exigência que o Governo recusou: "Sucede que uma condição imposta por esse partido para viabilizar o global das alterações que eram propostas era mexermos na sustentabilidade da Segurança Social e na possibilidade não fundamentada de alterar a idade da reforma."

Montenegro garantiu, por fim, que não estava disposto a aceitar essa condição, defendendo que a estabilidade do sistema de pensões não pode ser colocada em causa: "As pensões são sagradas e jamais tomarei qualquer medida que possa prejudicar no futuro o pagamento das pensões."

A proposta de reforma laboral, recorde-se, acabou por ser rejeitada no Parlamento, depois de PS, Chega, PCP, Livre, Bloco de Esquerda e PAN votarem contra o diploma apresentado pelo Governo.