O discurso de Luís Montenegro na Festa do Pontal, que marcou a rentrée política do PSD, provocou fortes críticas da oposição. Chega, PS e PCP convergiram na acusação de que o primeiro-ministro apresentou um retrato otimista de Portugal que não corresponde às dificuldades sentidas por uma parte significativa da população.
André Ventura considerou “escandaloso” que Montenegro tenha deixado de fora do discurso alguns dos casos que têm marcado a atualidade política. O líder do Chega criticou o primeiro-ministro por não abordar as polémicas em torno do ministro da Administração Interna e acusou-o de estar desligado dos problemas dos portugueses. Para Ventura, a intervenção ficou também aquém nas respostas a áreas como a Educação.
O PS escolheu igualmente o contraste entre o discurso governamental e a realidade para atacar Montenegro. Filipe Santos Costa, do secretariado nacional socialista, afirmou que o primeiro-ministro está “mais desfasado que a Alice no País das Maravilhas” e contestou o balanço económico apresentado no Pontal.
Os socialistas sustentam que o crescimento e as condições de vida não correspondem ao cenário traçado pelo chefe do Governo e exigiram ainda esclarecimentos sobre o anúncio da aquisição pelo Estado de 13,7% da REN.
Também o PCP rejeitou a leitura feita por Montenegro. Os comunistas afirmaram que “quem estica o salário até ao fim do mês” dificilmente se terá revisto nas palavras do primeiro-ministro, acusando o Governo de apresentar um País distante daquele que muitos portugueses encontram no quotidiano.
O PCP contrapôs ao balanço governamental as dificuldades nos salários, na habitação e no acesso à saúde.
As críticas surgem depois de Montenegro ter usado o Pontal para defender os resultados dos seus governos desde 2024. O primeiro-ministro destacou níveis elevados de emprego, a subida do salário líquido, a redução da dívida pública e a diminuição da pobreza, prometendo continuar a baixar o IRS quando as contas públicas o permitirem. Anunciou ainda o objetivo de elevar o salário mínimo para 1.100 euros até ao final da legislatura e o alargamento do passe ferroviário verde aos comboios urbanos de Lisboa e Porto.
Montenegro prometeu uma “década de desenvolvimento” e garantiu que o atual Executivo não deixará uma nova “troika”.

















