Na sua crónica, hoje publicada na revista Sábado, Eduardo Dâmaso, diretor-geral editorial adjunto do Correio da Manhã, lança duras críticas a Luís Montenegro, responsabilizando o primeiro-ministro pela forma como foi conduzida a saída de Luís Neves da direção da Polícia Judiciária.
Numa crónica intitulada “Bandidos”, sem papas na língua, o jornalista considera que Neves “nunca deveria ter ido para um governo liderado por alguém cujo padrão ético é inexistente” e acusa mesmo o chefe do executivo de opacidade profissional e falta de prestação de contas.
Embora reconheça falhas ao antigo diretor da PJ, nomeadamente no chamado “caso dos montes”, Dâmaso considera desproporcionada a tentativa de o transformar no principal problema. Para o cronista, Neves “não é comparável aos reais bandidos da República” e acabou transformado numa peça de uma estratégia destinada a desviar atenções de problemas mais profundos.
O jornalista traça ainda um retrato demolidor do sistema político português, falando de décadas de perda de credibilidade, relações entre poder político, banca e grandes interesses económicos e de uma crescente desconfiança dos cidadãos. Na sua leitura, a polémica em torno de Luís Neves serve sobretudo para fragilizar a PJ e o Ministério Público, numa altura em que o país deveria estar concentrado em perceber as verdadeiras causas da crise de confiança nas instituições.

















