A música portuguesa perdeu esta segunda-feira, dia 21, à noite um dos seus nomes maiores. Jorge Palma, cantor, compositor e pianista, morreu vítima de uma paragem cardiorrespiratória, segundo comunicado divulgado pela família e agência do artista.
O anúncio da família
A notícia foi tornada pública através de uma mensagem nas redes sociais, na qual a família e a agência do músico manifestaram profundo pesar e consternação ao anunciar a sua morte. O comunicado recorda que Jorge Palma, com uma carreira de mais de meio século, deixa uma obra assinalável que faz parte da história portuguesa, além de inúmeras amizades construídas ao longo da vida.
A viúva, Rita Tomé, e os filhos Vicente e Francisco Palma, juntamente com os representantes do artista, pediram que a memória de Jorge Palma seja celebrada sobretudo através do seu legado musical, segundo a revista Nova Gente.
Reação política
O primeiro-ministro Luís Montenegro reagiu publicamente à morte do músico, afirmando que Jorge Palma parte, mas a sua música fica, nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações. O chefe do Governo sublinhou ainda o papel do cantor na transformação da cultura portuguesa e deixou condolências à família em nome pessoal e do Executivo.
Uma vida dedicada à música
Jorge Manuel de Abreu Palma nasceu em Lisboa, a 4 de junho de 1950. Começou a ter aulas de música aos seis anos e, aos dez, ingressou no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, onde seguiu um percurso clássico ao piano. Na adolescência, porém, aproximou-se do rock and roll, descobrindo a guitarra através da influência de artistas como Bob Dylan, Led Zeppelin e Lou Reed — uma viragem que o levaria a abandonar os estudos clássicos e, mais tarde, também o percurso académico na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Antes de se afirmar a solo, integrou os grupos Sindicato — que atuou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971 — e Black Boys. Em 1972 gravou o seu primeiro single a solo, 'The Nine Billion Names of God', cujo pagamento recebeu, curiosamente, em eletrodomésticos. No ano seguinte, para escapar ao serviço militar, deixou Portugal e instalou-se na Dinamarca, período em que se sustentou como músico de rua em várias cidades europeias, antes de regressar definitivamente ao país em 1982.
O sucesso maior chegaria no final dos anos 80, com temas incontornáveis como 'Deixa-me Rir' e 'Frágil'. O músico voltaria a marcar a cena musical portuguesa em 2007, com o single 'Encosta-te a Mim'. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, deixou 14 álbuns de originais e canções que se tornaram parte da memória coletiva dos portugueses, como 'Bairro do Amor' e 'Estrela do Mar'.
Últimos anos de atividade
Mesmo já depois dos 70 anos, Jorge Palma manteve-se ativo em palco. Em dezembro de 2022 lançou o álbum ao vivo 'Só ao Vivo', registado durante a digressão 'Só', iniciada em 2021. Em outubro de 2023, editou '70 Voltas ao Sol', gravado no concerto que celebrou os seus 70 anos no Coliseu dos Recreios, com participações de artistas como Marisa Liz, Camané, Ana Moura e Diogo Piçarra. Nesse mesmo ano, foi ainda o grande vencedor da terceira edição do prémio 'Língua Mãe'.
Em 2024, subiu ao palco com os filhos Vicente e Francisco no espetáculo '3 Palmas na Mão', um formato a três vozes que reunia diferentes gerações e repertórios da família. Mais recentemente, a 23 de abril deste ano, foi distinguido com o Prémio Carreira na 8.ª edição dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa.
Jorge Palma morre deixando um legado que atravessa gerações de portugueses e um lugar consolidado entre os maiores nomes da canção nacional.


















