A morte de Jorge Palma, aos 76 anos, continua a provocar uma onda de emoção e homenagens no país. Museus, salas de espetáculos, músicos e figuras públicas recordam o cantautor como um símbolo de liberdade, irreverência e de uma forma única de olhar para a vida.

O Museu Bordalo Pinheiro escolheu uma despedida à imagem do músico, lembrando que as suas canções foram “muitas vezes um manguito às coisas más da vida”. “Hoje, apetece-nos fazer um manguito à tua morte”, escreveu, recordando a participação de Palma na exposição 'Toma! 150 anos de Zés Povinhos', para a qual o artista aceitou fazer o seu próprio 'manguito'.

O Coliseu do Porto lembrou um dos “nomes maiores da nossa música” e recuperou imagens do concerto de 2016 e da passagem pelo Concerto Promenade, em 2025. Já o Museu do Aljube destacou o músico “livre, rebelde, hedonista e desalinhado”, recordando o exílio na Dinamarca antes do 25 de Abril e a defesa da paz, da liberdade e das causas de Abril.

Também os artistas multiplicaram as despedidas. Ana Bacalhau destacou a comunidade “bonita, humana” criada pela música de Palma, enquanto João Pedro Pais recordou o seu “eterno sorriso de adolescente”.

Júlio Isidro deixou uma das mensagens mais emocionadas: “O bairro do nosso amor está a ficar tristemente deserto.” Carlos Moedas afirmou que Lisboa “acordou mais silenciosa e com o coração mais frágil” e despediu-se do “eterno rapaz do piano” e “poeta vagabundo”.

Da Festa do Avante! à RTP, as palavras cruzaram-se com versos que atravessaram gerações. E ficou uma certeza retirada de “A Gente Vai Continuar”: “Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar.”