O Museu de Kelvingrove, em Glasgow, na Escócia, retirou de exposição restos humanos do Antigo Egito, ao abrigo de uma proposta de regulamento destinada a garantir que os restos mortais são tratados com dignidade e respeito. A decisão, tornada pública esta semana, está a gerar polémica no Reino Unido, com acusações de excesso de politicamente correto.
Deixaram de estar visíveis um caixão pintado com os restos mortais de um sacerdote, uma cabeça masculina mumificada, uma mão direita mumificada encontrada no Vale dos Reis, em Luxor, e um pé direito mumificado. O sacerdote chamava-se Nekht e o caixão foi oferecido a Glasgow em 1923 pela Associação de Estudantes de Investigação Egípcia. O caso veio a público depois de um visitante ter reparado num aviso a explicar que os restos humanos tinham sido retirados como sinal de respeito.
A proposta de regulamento da Glasgow Life, que gere os museus da cidade, determina que os restos humanos só devem ser expostos quando houver consentimento documentado e informado do falecido ou, em certos casos, dos descendentes. "Na ausência desse consentimento, consideramos que retirar de exposição os restos humanos do Antigo Egito é mais respeitoso para com os falecidos", afirmou a organização, financiada pela Câmara Municipal de Glasgow.
A medida não fica por aqui. A Glasgow Life está a retirar restos humanos arqueológicos do History Discovery Centre e da galeria Scotland's Early People, no mesmo museu, e a seguir avança para a remoção de um caixão e de restos mumificados expostos no Museu de St Mungo.
A organização invoca um relatório de 2025 do grupo parlamentar britânico para as Reparações Africanas, que pediu o fim da exposição pública de múmias egípcias e de outros restos humanos.
O caso de Glasgow não é isolado. Em setembro, o Manchester Museum retirou os restos mumificados de Asru, uma mulher egípcia com 2.700 anos, após mais de dois séculos em exposição pública.

















