A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, de 36 anos, admitiu que o Governo pode rever o sistema de gratuitidades nos museus portugueses. A responsável defende que é necessário diversificar as fontes de financiamento dos equipamentos culturais e que "alguma coisa que não é paga terá menos valor do que alguma coisa que é paga."


A declaração foi feita no podcast 'ECO dos Fundos' e gerou imediata polémica. Margarida Balseiro Lopes ressalvou, no entanto, que uma eventual revisão das gratuitidades "não significa" que não haja políticas públicas para garantir o acesso à cultura.

Para diversificar as fontes de financiamento, o Ministério da Cultura vai apostar nas lojas dos museus, lançar em outubro um financiamento de um 1 milhão de euros para serviços educativos e, até ao final do ano, uma linha de financiamento para a internacionalização no mesmo valor. Esta última linha destina-se a apoiar escritores em feiras do livro e músicos em festivais internacionais, com foco em quem está no início de carreira.

Margarida Balseiro Lopes anunciou também que a coleção de arte contemporânea do Estado, que durante 50 anos funcionou em armazéns arrendados, com custos anuais de cerca de 660 mil euros, já tem casa própria em Cascais, aberta ao público desde 1 de julho.

A coleção, que conta com mais de três mil e 200 obras e celebra este ano 150 anos, vai continuar a circular pelo País e a ser internacionalizada, após uma primeira participação fora da Europa em Xangai em novembro.