Uma megaoperação contra um alegado esquema de fraude ao IVA levou à detenção de 62 pessoas em Portugal, Espanha e Itália e à apreensão de cerca de 310 milhões de euros. A investigação da Polícia Judiciária (PJ) e da Autoridade Tributária (AT) aponta para uma fraude que poderá superar os 410 milhões de euros e que terá sido sustentada por uma rede de cerca de 150 empresas.
A 'Operação Hermes', coordenada pela Procuradoria Europeia, decorreu esta quarta-feira, dia 7, e envolveu cerca de 300 buscas a residências e empresas. Foram detidas 39 pessoas em Portugal, 20 em Espanha e três em Itália.
Durante as diligências, as autoridades apreenderam cerca de 310 milhões de euros, incluindo nove milhões em dinheiro, além de vários bens de luxo. Entre o material apreendido encontram-se iates e automóveis de marcas como Lamborghini, Porsche e Ferrari. Foram ainda congeladas contas bancárias e ações de empresas.
No centro da investigação está uma alegada fraude no comércio de telemóveis dentro da União Europeia (UE), através do chamado "carrossel do IVA". O esquema aproveita as regras aplicáveis às transações entre países europeus e recorre a empresas "fantasma". Estas cobram o IVA, mas não entregam o imposto às Finanças, acabando depois por desaparecer do circuito. Entretanto, outras empresas conseguem deduzir o IVA alegadamente pago.
A operação colocou no terreno cerca de mil elementos das autoridades, entre 700 inspetores da PJ e 350 elementos da AT.
O 24Horas já tinha noticiado durante a manhã a Operação Hermes, quando estavam em curso mais de 200 buscas e eram esperadas dezenas de detenções. Os dados conhecidos ao longo do dia revelaram, entretanto, uma dimensão ainda maior da investigação.
A Autoridade Tributária instaurou, só em 2025, mais de cinco mil processos relacionados com crimes de fraude fiscal, nos quais foram identificadas vantagens patrimoniais ilegítimas superiores a 355 milhões de euros. O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos destacou, a propósito da operação, que ações como esta mostram que os inspetores da AT são “pilares da justiça fiscal e da legalidade económica”.

















