A Polícia Judiciária está a realizar esta quarta-feira, dia 7, uma das maiores operações do ano contra a criminalidade económica. Batizada de 'Operação Hermes', a investigação envolve mais de 200 buscas e prevê mais de 20 detenções, por suspeitas de associação criminosa, fraude fiscal, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.
As diligências decorrem em empresas, residências e escritórios de contabilidade e de advogados, sobretudo nas regiões do Grande Porto e da Grande Lisboa, mas também em cidades como Braga e Coimbra. Estão ainda previstas buscas e detenções noutros países da União Europeia.
No total, estão mobilizados cerca de 700 inspetores da Polícia Judiciária, aos quais se juntam aproximadamente 300 elementos da Autoridade Tributária. A investigação é coordenada pela PJ do Porto e pelas Finanças e está a ser acompanhada pela Procuradoria Europeia.
No centro da investigação está um alegado esquema de “carrossel do IVA” relacionado com a compra e venda de milhares de telemóveis.
Segundo as autoridades, a rede recorreria a várias dezenas de empresas fictícias, distribuídas por diferentes países da União Europeia, para fazer circular os equipamentos através de sucessivas transações. As operações intracomunitárias beneficiariam da isenção de IVA, permitindo posteriormente a apresentação de pedidos de reembolso que não seriam devidos.
Os investigadores suspeitam ainda que os telemóveis eram depois vendidos ao consumidor final já com IVA, mas que esse imposto não chegava a ser entregue ao Estado. Para isso seriam utilizadas empresas de fachada, criadas ou utilizadas para não declarar os impostos devidos.
Os dois inquéritos que estão na origem da Operação Hermes têm epicentro no Porto e ramificações em várias empresas da região de Lisboa. Em conjunto, o esquema terá provocado prejuízos superiores a 100 milhões de euros ao erário público, segundo informações divulgadas sobre a investigação.
Os investigadores terão chegado aos atuais processos a partir de informação recolhida durante a Operação Admiral, desencadeada em 2022 para investigar um esquema semelhante de fraude fiscal.
Nesse processo foram detidos, entre outros, o empresário Max Cardoso e a antiga apresentadora de televisão Ana Lúcia Matos. A investigação apontava para um prejuízo de cerca de 80 milhões de euros para o Estado português e de várias centenas de milhões de euros a nível europeu. Max Cardoso acabou condenado, em 2025, a sete anos e meio de prisão.

















