Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no telemóvel de Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, indicam uma relação próxima entre o banqueiro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os dados fazem parte de um relatório da PF tornado público nesta terça-feira, após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a investigação, o advogado Ciro Soares funcionava como principal intermediário entre Vorcaro e Gonet. Em março de 2025, Soares enviou ao banqueiro uma fotografia ao lado do procurador-geral e escreveu que Gonet queria falar com ele. Na sequência, foram registadas quatro chamadas telefónicas entre os envolvidos, o que, segundo os investigadores, indica que Vorcaro terá falado com o PGR através do telemóvel do advogado.
Dias depois, Soares encaminhou a Vorcaro mensagens que atribuiu a Gonet. Numa delas, o procurador-geral teria escrito que já estava com saudades do banqueiro e que iria viajar para Roma. Vorcaro respondeu agradecendo o carinho e afirmou também sentir saudades. O advogado acrescentou que Gonet iria para Londres com o grupo organizado pelo empresário.
As conversas também fazem referência a uma viagem a Londres. De acordo com o relatório da PF, Ciro Soares perguntou a Vorcaro se o filho de Gonet, Pedro, poderia viajar com o grupo. O banqueiro respondeu afirmativamente. Documentos analisados pelos investigadores indicam ainda que Vorcaro autorizou despesas relacionadas com a viagem de Pedro Gonet e do próprio advogado.
O relatório menciona ainda outros contactos envolvendo Gonet. Em mensagens de 2024, Ciro Soares teria dito a Vorcaro que “Gonet é firme” e relatado uma intervenção do procurador-geral numa disputa eleitoral interna do Ministério Público. A PF, contudo, não afirma que esses contactos tenham resultado em qualquer favorecimento ilegal ao banqueiro.
As revelações surgem no contexto da investigação ao Banco Master, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo operações de crédito. Vorcaro foi preso em novembro de 2025, quando tentava deixar o Brasil, e continua a ser investigado no caso.
A divulgação das mensagens ocorre num momento de forte pressão sobre as autoridades envolvidas no processo. O relatório da PF também contém referências a contactos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a pedidos do banqueiro relacionados com Gonet e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Procurada pela imprensa, a Procuradoria-Geral da República informou que não comenta investigações sob sigilo. Até ao momento, as informações divulgadas pela PF apontam para contactos e relações de proximidade, mas não estabelecem, por si só, que Paulo Gonet tenha cometido qualquer crime ou actuado ilegalmente em benefício de Vorcaro.

















