A preparação do Orçamento do Estado para 2027 vai decorrer com base em indicadores económicos que já não refletem a nova realidade estatística do país.
A recente revisão do número de residentes em Portugal pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que elevou a população para mais de 11,4 milhões de habitantes, obrigará à atualização de um conjunto alargado de séries estatísticas, incluindo o PIB nominal, o PIB per capita, a produtividade e o rácio da dívida pública. No entanto, essas revisões não estarão concluídas a tempo de servirem de base à elaboração do documento orçamental.
Segundo o jornal ECO, economistas alertam que esta situação poderá ter impacto muito para além do cenário macroeconómico, influenciando indicadores utilizados na definição de políticas públicas em áreas como a Saúde, a Educação, a Segurança Social e o emprego. Apesar disso, o Ministério das Finanças deverá avançar com a preparação do OE2027 utilizando os dados atualmente disponíveis, enquanto aguarda pela revisão oficial das contas nacionais.
A atualização demográfica implica ainda uma revisão em baixa do PIB per capita, já admitida pelo ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, que considera que o indicador poderá passar a situar-se em torno dos 80 por cento da média da União Europeia. Trata-se, contudo, de uma alteração essencialmente estatística, resultante do aumento da população residente, e não de uma deterioração da atividade económica portuguesa.

















