O Paraguai está a liderar um movimento diplomático discreto para reaproximar a Venezuela do Mercosul, num sinal de que o bloco sul-americano poderá entrar numa nova fase política e estratégica. A iniciativa, revelada por meios de comunicação brasileiros, inclui contactos de alto nível entre Assunção e Brasília para avaliar a possibilidade de representantes venezuelanos participarem na próxima cimeira do Mercosul, marcada para 30 de junho, na capital paraguaia.
A Venezuela encontra-se suspensa do Mercosul desde 2017, na sequência da aplicação da cláusula democrática do Protocolo de Ushuaia, devido à degradação institucional e política durante o regime de Nicolás Maduro. No entanto, a mudança do cenário político em Caracas, após a saída de Maduro e a ascensão de Delcy Rodríguez à presidência interina, abriu espaço para uma possível reavaliação da posição venezuelana dentro do bloco.
Segundo fontes diplomáticas, o Brasil vê com bons olhos uma reaproximação gradual, embora admita que um regresso pleno ainda exigirá negociações complexas e o cumprimento das normas democráticas e comerciais do Mercosul. A ideia inicial passaria por um gesto político simbólico, permitindo a presença venezuelana em reuniões do bloco sem reintegração formal imediata.
O movimento surge também num contexto de reforço do Mercosul como principal plataforma de integração regional, numa altura em que organismos como a Unasul ou a CELAC atravessam períodos de menor influência política. A eventual reintegração da Venezuela poderá relançar o debate sobre o peso geopolítico da América do Sul e a necessidade de maior coordenação económica, energética e comercial entre os países da região.

















