Fernando Pimenta, de 37 anos, um dos maiores nomes da história da canoagem portuguesa, fez um apelo à importância da saúde mental no desporto de alta competição e revelou que continua a sofrer com a oportunidade perdida de conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

“Quem está sujeito a uma grande pressão, principalmente em determinados momentos, deve procurar ajuda psicológica sem medo”, defendeu o campeão, durante o 4.º Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events, realizado em Viseu.

Pimenta recordou a desilusão vivida na final olímpica de K1 1.000 metros. “Ainda hoje estou frustrado e triste, porque sei que tinha todas as condições para ter trazido o ouro e, por dois erros que cometi na regata, não trouxe. A minha mulher já não me podia ouvir e liguei à minha psicóloga, que me disse para me focar na próxima competição.”

O canoísta de Ponte de Lima descreveu ainda a pressão implacável a que estão sujeitos os atletas de elite. “Quando tenho uma prova marcada, ninguém me pergunta se estou bem, se estou doente ou se me morreu alguém. Estás bem, vais. Não estás bem, vais.”

Por isso, Pimenta considera fundamental proteger o equilíbrio emocional. “Às vezes, temos de criar uma bolha e viver nela durante determinado tempo, como por exemplo durante uma competição, para não nos deixarmos afetar por algo que aconteça na nossa família.”

Quanto ao futuro, o canoísta admitiu que já ponderou abandonar a alta competição, mas garantiu que ainda não tomou qualquer decisão.

“Ainda nada está definido, porque se tivesse parado em Paris, como muita gente sugeriu, não teria conquistado os títulos mundiais” que entretanto somou, sublinhou.

Quando terminar a carreira, Fernando Pimenta, que tem 187 medalhas internacionais ao longo da carreira, quer continuar a servir o desporto português: “Gostaria de contribuir de uma forma muito direta no desenvolvimento do desporto no País”, não apenas na canoagem, mas “no desporto no geral”.