Jorge Mendes estima que a sua empresa Gestifute já trouxe para o futebol português quase três mil milhões de euros. O empresário apresentou o balanço na conferência 'Leading the Game', na Universidade Católica, no Porto, onde destacou a confiança dos clubes e as relações internacionais como fatores decisivos para concretizar negócios.

Criada há 30 anos, a empresa tornou-se uma referência num mercado em que Portugal consegue movimentar verbas muito superiores ao que a dimensão do país poderia sugerir, sendo que Mendes atribuiu esse percurso ao trabalho, às viagens e à construção de uma rede de contactos que lhe permite negociar com os principais clubes do mundo.

Entre os episódios recordados esteve o regresso de Ricardo Quaresma a Portugal, em 2004. Segundo o agente, o FC Porto tentou contratar o extremo ao Barcelona por dois ou três milhões de euros, mas encontrou a sua oposição. Mendes exigiu que os catalães recuperassem o investimento feito na contratação do jogador.

O negócio acabaria por concretizar-se por pouco mais de seis milhões de euros. Quaresma regressou assim ao campeonato português, tornando-se uma das figuras dos dragões. Para o empresário, o episódio ilustra a importância de preservar a confiança entre quem compra, quem vende e quem conduz as negociações.

Outro exemplo foi Pedro Neto. Mendes contou que escolheu o jovem do Sporting de Braga numa altura em que António Salvador precisava de receitas para construir a academia. Apesar da escassa utilização na equipa principal, convenceu a Lázio a investir cerca de 20 milhões de euros. Mais tarde, assegurou, a mudança para o Wolverhampton permitiu aos italianos receber mais três milhões do que tinham gasto.

Mendes evocou ainda a resistência inicial do Mónaco à contratação de Costinha, então no Nacional. Depois de conseguir uma oportunidade para o médio treinar à experiência, bastaram três dias para Jean Tigana decidir avançar com um contrato de quatro temporadas