Portugal começou 2026 com um défice orçamental equivalente a 0,7% do PIB, segundo os resultados do primeiro trimestre publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O organismo indica que, considerando apenas os valores trimestrais, o saldo das Administrações Públicas foi de -510 milhões de euros, contrastando com o equilíbrio registado no mesmo período de 2025.

Do lado da receita, verificou‑se um aumento de 5,5% na receita corrente, impulsionado sobretudo pelo crescimento das contribuições sociais (7,1%) e dos impostos sobre a produção e importação (4,3%). Também a outra receita corrente (14,4%) e as vendas (10,7%) contribuíram para esta evolução.

Quanto à despesa, houve um acréscimo de 6,4% na despesa corrente, refletindo aumentos na outra despesa corrente (21,4%), nos subsídios (9,7%), no consumo intermédio (7,0%), nas remunerações dos trabalhadores (6,7%), nas prestações sociais (4,6%) e nos encargos com juros (1,1%).

Comparando com o primeiro trimestre de 2025, tanto a contabilidade pública como a contabilidade nacional registaram uma deterioração do saldo, que passou de zero para défice.

Entre o final de janeiro e o início de março, o País enfrentou ainda os efeitos das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram vítimas mortais, centenas de feridos e milhares de desalojados. Estes temporais, que afetaram sobretudo o Centro, Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo, causaram destruição significativa em habitações, empresas e infraestruturas, além de cortes de energia, água e comunicações. Os prejuízos ultrapassaram os cinco mil milhões de euros.