Abelardo de la Espriella, de 47 anos, venceu as eleições presidenciais na Colômbia e apresentou as primeiras linhas da sua futura governação, prometendo uma ofensiva sem precedentes contra o narcotráfico, os grupos armados e a criminalidade organizada.

Num discurso marcado por um tom firme, o presidente eleito garantiu que, a partir da tomada de posse, irá avançar com medidas para combater a produção de coca e desmantelar as estruturas dos cartéis.

“Vou dar a ordem a 8 de agosto de começar a fumigar os mais de 330 mil hectares de coca que são a frente primigénia” do narcotráfico, afirmou, acrescentando que pretende também “bombardear todos os acampamentos narcoterroristas”, recorrendo à tecnologia disponível para minimizar o impacto sobre a população civil.

Entre as medidas anunciadas está igualmente o reforço da ação militar contra o tráfico de droga: “Vou dar instruções aos comandantes da força aérea, do exército e da polícia para dar de baixa todos os aviões carregados de droga que saiam da Colômbia e vou responder por isso”, declarou.

O novo chefe de Estado revelou ainda a intenção de atacar as rotas marítimas utilizadas pelos cartéis, assegurando que as embarcações usadas para o transporte de estupefacientes através das águas do Caribe, do Pacífico e do Golfo de Urabá serão alvo das autoridades.

Ao defender uma política de “tolerância zero” perante o crime, Abelardo de la Espriella argumentou que a produção e distribuição de droga estão na origem de grande parte da violência que afeta o país. Por esse motivo, garantiu que não haverá negociações nem concessões às organizações criminosas.

Segundo o presidente eleito, a estratégia passará por combinar operações militares com uma maior presença do Estado em zonas historicamente dominadas por grupos armados e redes de narcotráfico.

De la Espriella afirmou também que os cartéis mexicanos passarão a ser considerados alvos militares em território colombiano e prometeu uma resposta dura à violência registada em várias regiões do país. “O sangue derramado será pago gota a gota”, afirmou.

Relativamente aos protestos sociais, o futuro presidente distinguiu as manifestações pacíficas dos atos violentos. Embora tenha sublinhado que o direito ao protesto está protegido pela Constituição, advertiu que bloqueios de estradas, ataques a infraestruturas públicas ou agressões a agentes das forças de segurança terão uma resposta firme das autoridades.

“Primeiro há que recuperar os territórios”, resumiu, defendendo simultaneamente uma maior presença estatal, programas de substituição de culturas ilícitas e investimento social destinado às famílias que dependem economicamente da produção de coca.

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