O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, de 43 anos, considera que o voto contra do Chega à proposta do Governo do pacote laboral, que permitiu chumbar a reforma, foi condicionado pela luta dos trabalhadores. "Esta reprovação do pacote laboral por parte do Chega não quer dizer que o Chega, por princípios, esteja contra aquilo que é o conteúdo do pacote laboral", salientou, em declarações exclusivas ao 24Horas.
Para Tiago Oliveira, o voto do partido liderado por André Ventura deveu-se à "luta dos trabalhadores": "O Chega teve sempre este objetivo de dar o braço ao Governo. Não o deu porque sentiu da parte dos trabalhadores a dimensão da resposta e obviamente que depois tentou encontrar um subterfúgio qualquer para justificar o procedimento que tiveram."
O sindicalista realçou que o desfecho do pacote laboral foi o culminar de 11 meses de luta, recordando as grandes manifestações organizadas, destacando as greves gerais de 11 de dezembro e de 3 de julho: "Nós sempre dissemos isto, e continuamos a dizer: a votação na Assembleia da República, na sexta-feira passada, deveu-se àquilo que foi o posicionamento da luta dos trabalhadores, aquilo que foi o esclarecimento que a CGTP levou aos locais de trabalho, a mobilização que a CGTP fez ao longo de todos estes meses dos trabalhadores, e, portanto, o papel da CGTP e o papel dos trabalhadores foi determinante em todo este processo."
Questionado se os trabalhadores podem estar descansados com o Governo de Luís Montenegro, Tiago Oliveira foi claro: "Os trabalhadores sabem o Governo que têm, sabem o que está em causa, seja no pacote liberal e a resposta que deram, é uma resposta cabal relativamente ao pacote laboral, mas também sabem aquilo que está a acontecer aos serviços públicos. Sabem o que é que está a acontecer ao Serviço Nacional de Saúde, sabem o que é que está a acontecer à escola pública, sabem o que é que está em preparação relativamente à Segurança Social, sabem aquilo que está em construção relativamente ao objetivo de criar a prestação social única, a PSU. Portanto, os trabalhadores estão perfeitamente cientes daquilo que são os objetivos que este Governo está a prosseguir."
Sobre ter-se emocionado quando o pacote laboral foi chumbado na Assembleia da República, Tiago Oliveira explica que as lágrimas se deveram aos últimos meses de trabalho. "Foram 11 meses de luta, foram 11 meses de uma entrega que não foi do Tiago. O Tiago é apenas um deste grande coletivo. Mas foram 11 meses em que a CGTP esteve sempre presente nos locais de trabalho."
Apesar da vitória na votação do pacote laboral, o líder da CGTP realça que os próximos tempos não serão fáceis e trarão grandes desafios aos trabalhadores: "Vamos ter de ser, de forma constante, chamados à luta, chamados a intervir, chamados a lutar, porque, de facto, nós temos de ultrapassar as dificuldades que já hoje temos."

















