Cerca de 40 portugueses pertencentes a três tripulações de aviação encontram-se retidos em Caracas, na sequência dos dois sismos, de magnitude 7,1 e 7,5 na escala de Richter, que atingiram a região central da Venezuela, na madrugada desta quinta-feira, dia 25.

Entre os afetados estão 11 tripulantes da TAP e duas tripulações da Hi Fly. Os elementos da companhia aérea portuguesa estavam alojados num hotel próximo do aeroporto que acabou por ruir parcialmente com o abalo sísmico.

"Há pessoas soterradas, presas nos escombros, presas nos carros, tudo aos berros. Nós a vermos mãos por baixo daquilo tudo a pedirem ajuda... Foi um milagre termos sobrevivido", relatou uma das tripulantes, que pediu anonimato, ao 24Horas.

A mesma fonte descreve ainda o cenário vivido após o sismo: "Agora estamos do outro lado da cidade, onde parece que não se passou nada, é sinistro. Na zona do hotel, ficou tudo destruído, vimos prédios a arder, não há mesmo palavras para descrever. Mas o importante é que sobrevivemos."

Hotel Marriott

Segundo os relatos, os tripulantes da TAP conseguiram abandonar o hotel pelas escadas de emergência e deslocaram-se a pé até ao aeroporto, levando apenas a roupa que tinham no corpo e sem calçado.

Já no terminal aeroportuário, terão permanecido cerca de três horas à espera de apoio da Embaixada de Portugal. Neste momento, encontram-se realojados noutra zona da cidade, sem documentos e apenas com os pertences que conseguiram salvar.

O chefe de escala da TAP, que também se encontrava no hotel, conseguiu, entretanto, assegurar a transferência da tripulação para uma unidade hoteleira de um conhecido. "O Protocolo de Segurança TAP foi ativado, com o objetivo de os tirar de lá o mais rapidamente possível", acrescenta a mesma fonte.

Os 11 tripulantes da TAP tinham chegado a Caracas esta segunda-feira, dia 22, e estavam instalados numa unidade hoteleira próxima do aeroporto, que acabou por ser uma das estruturas afetadas.

Apesar do cenário vivido, os trabalhadores "estão bem". Apenas um elemento sofreu ferimentos ligeiros durante a evacuação. "Não requer cuidados médicos especiais, está tudo sob controlo", referiu ao ECO o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), Ricardo Penarróias.

No caso da Hi Fly, uma das tripulações encontrava-se na pista no momento do sismo, durante operações de embarque. "A aeronave ficou danificada. Havia uma manga ligada ao avião, o que provocou danos estruturais na aeronave", explicou o responsável sindical.

Não há registo de feridos entre os elementos da Hi Fly, embora ainda não seja conhecido o local onde foram realojados. O responsável acrescenta que o aeroporto sofreu danos e que a situação “está a ser analisada ao minuto”.

Em declarações à Lusa, o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, afirmou que não há, para já, portugueses entre as vítimas mortais.

Créditos: @ivan_alfonso_rivera/Instagram