A educadora brasileira Débora Garofalo, de 46 anos, foi oficialmente reconhecida como a professora mais influente do mundo, pela Varkey Foundation, a prestigiada instituição internacional responsável pela criação do 'Global Teacher Prize', galardão amplamente conhecido como o 'Nobel da Educação'.

O anúncio e a entrega do prémio 'Global Teacher Influencer of the Year' ocorreram durante um prestigiado jantar de gala em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A distinção internacional surge como um reconhecimento direto do impacto global alcançado por Débora através do seu projeto pioneiro 'Robótica com Sucata', aliado a uma forte e inspiradora presença nas redes sociais, utilizada para promover e democratizar o acesso à tecnologia.

A trajetória da docente ganhou projeção global pela primeira vez em 2019, data em que se tornou a primeira mulher brasileira e sul-americana a figurar entre os dez finalistas do 'Global Teacher Prize'.

O projeto de robótica teve a sua génese na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Almirante Ary Parreiras, uma instituição de ensino público situada numa zona periférica de São Paulo, marcada por elevados índices de vulnerabilidade social. Ao identificar que o excesso de resíduos nas vias públicas era uma das principais preocupações manifestadas pelos próprios alunos, a docente desafiou as crianças a recolherem materiais recicláveis nas ruas para, posteriormente, transformá-los em componentes de programação e robótica.

A iniciativa não só resultou na remoção de mais de uma tonelada de lixo eletrónico e plástico dos espaços públicos, como também transformou a realidade pedagógica da comunidade escolar, despertando nos estudantes o desejo de ingressar no ensino universitário.

O que começou por ser uma experiência local converteu-se, entretanto, numa política pública estruturada de larga escala. Atualmente, a metodologia desenvolvida por Débora Garofalo já foi implementada em mais de 5.400 escolas e gera um impacto direto na aprendizagem de cerca de 3,7 milhões de estudantes, expandindo as suas fronteiras para lá do território brasileiro e alcançando salas de aula em países como os Estados Unidos, a Argentina, a Inglaterra e a França.

Em declarações à imprensa, após a receção do prémio, a educadora paulista — que hoje se dedica à formação docente e à consultoria em políticas públicas — sublinhou a importância do galardão para dar visibilidade à capacidade de inovação em cenários adversos.

Débora Garofalo realçou que a conquista serve de alento para demonstrar que, mesmo em contextos de extrema escassez, a criatividade e o compromisso social são capazes de gerar educação de alta qualidade e equidade, evidenciando a necessidade premente de maior investimento e valorização da carreira docente no Brasil.