A funcionária do infantário 'Mestre Cuco', em Almada, que transportava a bebé de 18 meses encontrada morta no interior da carrinha da instituição, admitiu às autoridades que se esqueceu da criança devido a alterações na rotina habitual de trabalho.

Em declarações prestadas à PSP e posteriormente confirmadas perante a Polícia Judiciária, a mulher terá afirmado: "Trocaram-me as rotinas, e matei uma bebé por causa disso." E assumiu que, naquele dia, realizou um percurso diferente do habitual e perdeu a noção de que a menina permanecia no interior da viatura.

Segundo os elementos recolhidos pela investigação, a funcionária foi buscar a criança a casa durante a manhã e seguiu para o infantário. Ao chegar, entrou nas instalações sem retirar a bebé da cadeira de retenção. A carrinha permaneceu estacionada durante cerca de sete horas, até que a mãe da menina se deslocou ao estabelecimento para a ir buscar e foi informada de que a filha nunca tinha entrado na creche. Só então foi feita uma verificação à viatura, onde a criança foi encontrada já sem sinais de vida.

A investigação da Polícia Judiciária procura agora determinar todas as circunstâncias do caso, incluindo a eventual existência de falhas organizacionais nos procedimentos de transporte e confirmação da entrada das crianças.

Especialistas em Direito Penal admitem que a funcionária possa vir a responder por homicídio por omissão, sem prejuízo da investigação em curso e da eventual responsabilidade da instituição. A Segurança Social informou entretanto que a creche se encontrava licenciada e que, na última ação de fiscalização, cumpria os requisitos legais de funcionamento.